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quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Polícia Federal retira nadadores de voo para os EUA

Gunnar Bentz e Jack Conger foram retirados de dentro do avião. Polícia mandará ao FBI interrogatório para Ryan Lochte responder dos EUA.
A polícia barrou, na noite desta quarta-feira (17), o embarque de nadadores americanos no Aeroporto Internacional Tom Jobim, o Galeão. Gunnar Bentz e Jack Conger chegaram a embarcar e foram retirados de dentro do avião por policiais civis, com ajuda da Polícia Federal.

Pouco antes, a Justiça mandou apreender o passaporte dos dois, para que prestassem depoimento, como testemunhas, sobre um assalto que quatro nadadores da delegação dos Estados Unidos dizem ter sofrido na madrugada de domingo (14), ao sair de uma festa na Lagoa.

Os quatros atletas estão impedidos pela Justiça de sair do país, a pedido da Delegacia de Atendimento ao Turista (Deat) do Rio.

Ryan Locthe e James Feigen foram ouvidos no domingo e os investigadores viram contradições nos depoimentos. A Deat, que investiga crimes contra turistas, começou então a apurar também se poderia ter havido um falsa comunicação de assalto por parte dos nadadores.

A pedida da delegacia, uma decisão da Justiça mandou apreender o passaporte dos dois, para que não deixassem o Brasil antes da conclusão das investigações.

Lochte, no entanto, já havia voltado para os Estados Unidos. Feigen permanece no Brasil e está intimado para prestar novo depoimento.

Interrogatório por carta
Agora a polícia vai enviar por ofício ao FBI uma relação de perguntas para que o 12 vezes medalhista olímpico Ryan Lochteresponda, dos Estados Unidos, por carta precatória.

A decisão de proibir a saída dos nadadores foi do Juizado Especial do Torcedor e Grandes Eventos. Nesta quarta, agentes estiveram na Vila Olímpica, mas não encontraram os três atletas que permaneciam no Brasil.

A PF notificou o Consulado dos Estados Unidos e o Comitê Olímpico do país para impedir a saída dos três, mas não havia recebido resposta até a noite.

Em nota, o Comitê Olímpico Americano informou que o time de natação deixou a Vila logo após o fim das competições e que, por questões de segurança, não poderia confirmar a localização de cada atleta.

Contradições
Na decisão de pedir a apreensão dos passaportes, a juíza Keyla Blanc De Cnop, do Juizado Especial do Torcedor e Grandes Eventos, assinala que foram identificadas contradições nos depoimentos prestados pelos nadadores.

Ryan Lochte disse à polícia que ele, Feigen e os também nadadores olímpicos Bentz e Conger estavam num táxi quando foram rendidos por um bando armado, que exigiu o dinheiro que ele tinha – cerca de US$ 400. Feigen afirmou que apenas um dos criminosos estava armado.

Em entrevista à rede americana NBC no domingo, Lochte contou que os assaltantes mostraram distintivos e obrigaram o grupo a deitar no chão. Os criminosos teriam então roubado o dinheiro e a carteira dele, mas deixaram a credencial e o celular, fato que os investigadores estranharam.

Instigados a dar mais detalhes do assalto, Feigen e Lochte disseram que não se lembravam porque estavam muito bêbados após deixarem a festa. Os agentes ainda procuram o taxista que teria levado os nadadores da Lagoa à Vila Olímpica. A polícia tem as imagens de um posto de gasolina e busca registros de câmeras de segurança que ficam no trajeto.

Vídeo contradiz depoimentos

Outra contradição surgida nos depoimentos é quanto aos horários do suposto assalto: os nadadores relataram que saíram da festa, na Lagoa, por volta das 4h, e teriam sido assaltados perto da Vila dos Atletas, já na Barra da Tijuca, razão pela qual seguiram para o alojamento. Imagens registradas pelas câmeras de segurança da Vila, contudo, mostram que os atletas chegaram ao local apenas às 6h56.

Em vídeo divulgado pelo jornal britânico Daily Mail, é possível identificar que 4 nadadores chegam à portaria e passam pelo detector de metais antes de entrar. Lochte chega a brincar com Feigen, batendo com sua credencial na cabeça do colega.

Para a juíza Keyla Blanc, as imagens evidenciam que os atletas chegaram com suas integridades físicas e psicológicas inabaladas, e que tal comportamento justifica o pedido do Ministério Público para que seja investigada de uma possível falsa comunicação de crime.

Pai de Lotche não entende controvérsia por assalto
Em entrevista à agência de notícias americana Associated Press (AP), o pai Ryan Lotche disse não entender a polêmica em relação ao caso e comentou que o filho ia comprar uma carteira nova.

"Estou feliz porque ele está a salvo. Foi uma experiência desafortunada para ele e os outros três. Não sei por que tanta controvérsia. Eles foram simplesmente tirados do táxi e assaltados. A principal coisa é que ele tem muita sorte de estar em segurança e tudo o que levaram foi o dinheiro e a carteira", disse Steve Lotche, por telefone.

Fonte: G1

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