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terça-feira, 15 de agosto de 2017

Rejeitado até na igreja, homem tem corpo velado em praça pública

O Aurélio Rodrigues tinha só 54 anos, mas parecia ter bem mais que 60, resultado de um corpo bombardeado pelo tempo e pelos anos de trabalho na enxada. Era bem conhecido no Bairro Marabaixo, Zona Oeste da capital, onde capinava quintais por R$ 30 ou R$ 50. Depois de quatro meses de peregrinação em unidades da rede pública, ele nunca descobriu o que tinha de verdade, mas as dores eram grandes. A jornada sofrida terminou dentro de um caixão na praça do bairro na manhã desta quarta-feira, 1º, depois de ter sido rejeitado até pela paróquia da comunidade onde vivia.

O capinador era natural do Maranhão, e vivia sozinho em um barraco de madeira de 4 metros de largura por 4 metros de comprimento no Marabaixo I. Tinha um casal de filhos. A moça mora em Laranjal do Jari, no Sul do Estado, e os vizinhos contam que ela é extremamente pobre. O filho mais velho tem família, também é braçal, e mora em outro bairro.

Quando começou a sentir dores, há cerca de quatro meses, teve a ajuda dos vizinhos que iniciaram uma peregrinação pela rede pública. Desconfiavam que era um problema na próstata.“Sempre que íamos ao Hospital de Emergência aplicavam remédios pra dor, mas nunca faziam os exames nele porque diziam que não tinha como fazer. Não tinha equipamentos”, conta o amigo e vizinho Josias Souza, que é funcionário público.

Amigos queriam fazer o velório na pavilhão da paróquia do bairro, mas foram impedidos

Depois dos dois primeiros meses, seu Aurélio conseguiu fazer alguns exames no Hospital de Clínicas Alberto Lima (HCAL). A suspeita era de um problema renal, e seria necessária uma cirurgia, segundo os amigos.

“Os exames não deram em nada, só que os médicos achavam que era problema renal. Depois de muita luta conseguimos uma vaga pra ele no Hospital de Santana”, comenta o aposentado Luiz Claudinaldo, o “Gato”, da Associação de Esportes do Marabaixo I, que também acompanhou o sofrimento.
Seu Aurélio morreu na manhã de terça-feira, esquecido pelo poder público, mas não pelos amigos. Ele estava internado no Hospital de Santana à espera da cirurgia. Um médico informou que foi infecção generalizada.

Depois de tanto sofrimento, uma última humilhação ainda estava por vir: os amigos foram até a paróquia de Santa Terezinha, no Marabaixo I, pedir ao padre que o velório fosse realizado no patio do local.
“Mas o padre disse que ia atrapalhar a missa e o terço dos homens. Faltou boa vontade”, queixa-se Gato.

Os amigos não tiveram outra escolha se não levar o corpo para a praça do bairro, o local mais aberto que poderiam arrumar e onde ninguém se oporia. Foi a última situação de constrangimento na sofrida jornada de seu Aurélio.Sofrido na vida e depois dela, o velhinho que capinava quintais finalmente descansa no Cemitério São Francisco de Assis, na BR-210.

Fonte: Revista NP

6 comentários:

Gente,
Quanta humilhação num País que se faz de acolhedor de imigrantes,para aparecer, rejeita o seu próprio CIDADÃO BRASILEIRO de BEM.
Que inverso nas páginas da História desse falido País.
Mas só uma lembrancinha:
DEUS AINDA É O DONO DE TUDO, E AS DIVIDAS, SERÃO DEVIDAMENTE PAGAS.

meu Deus que triste, o ser humano não vale nada, o senhor nem velado com dignidade foi, estou com o coração partido, somos pobres e abandonados por todos, sofrendo desde o início da vida. Deus, te peço que acolha a alma do seu Aurélio e que agora ela possa ter descanso.Cada dia que passa menos vontade de ta nesse mundo eu sinto. Esse padre não é seguidor do meu Cristo misericordioso.

A fé esta dentro de cada um e não na religião. Descanse em paz guerreiro!!!

Um absurdo o título da reportagem colocar como "rejeição " a atitude tomada pela paróquia. Se na mesma há missa diária, sob hipótese nenhuma e nenhuma outra paroquia que adote o mesmo critério aceitaria a missa de corpo presente, até por vir a ser um descompromisso para com os demais fiéis. Deus não está só dentro da igreja.

Caramba até o Padre o rejeitou , decepcionante todos somos mortais um dia cada um de nos prestaremos contas de nossas ações.

Essa história já tem mais de ano e agora que estão publicando, isso aconteceu aqui em Macapá já faz um tempo....

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