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segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Grupo que aterroriza CE tem exército de jovens e poder descentralizado

Facção Guardiões do Estado é suspeita de chacina de 14 pessoas em Fortaleza.
Os policiais do 22º Batalhão, no bairro Papicu, em Fortaleza, se surpreenderam ao deixarem o prédio na manhã da última quinta-feira (1º). Com pedras retiradas da calçada da própria rua, alguém deixou uma mensagem na porta da sede da Polícia Militar: "td [tudo] nosso, GDE 745".

GDE é a sigla para Guardiões do Estado, facção criminosa nascida na capital cearense que tem assustado a população, incomodado o governo e chamado a atenção pela ousadia das ações.

O 745 é o número adotado por seus membros, pela posição das letras da sigla no alfabeto. Muitos tatuam os três números pelo corpo lógica semelhante à do PCC em São Paulo, com o símbolo 1533.

Ao GDE atribui-se casos recentes de violência como a chacina que matou 14 pessoas em uma festa em Fortaleza, no dia 27, e os ataques que incendiaram mais de 20 ônibus e depredaram prédios públicos em abril de 2017.

É incerta a data de sua criação. A inteligência da polícia identificou pela primeira vez o uso da sigla GDE no bairro Conjunto Palmeiras, na periferia da capital, em 2012 uma dissidência de uma torcida organizada de futebol que migrou para o crime, dizem moradores da região.

O certo é que aqueles que se denominaram Guardiões do Estado se aproveitaram de relativa paz entre duas outras facções criminosas, o PCC e o Comando Vermelho, em 2016, para ganhar território na venda de drogas na cidade. E quando a tranquilidade acabou, há 15 meses, o GDE já havia dominado boa parte da região leste de Fortaleza.

Facções criminosas deixam recados nos muros de Fortaleza com orientações e ameaças à população Facções criminosas deixam recados nos muros de Fortaleza com orientações e ameaças à população Facções criminosas deixam recados nos muros de Fortaleza com orientações e ameaças à população Facções criminosas deixam recados nos muros de Fortaleza com orientações e ameaças à população Facções criminosas deixam recados nos muros de Fortaleza com orientações e ameaças à população Facções criminosas deixam recados nos muros de Fortaleza com orientações e ameaças à população.

Hoje, o número de integrantes cresceu a tal ponto que domina uma unidade prisional inteira, a CPPL 2 (Casa de Privação Provisória de Liberdade), em Itaitinga, região metropolitana, com capacidade para mais de 950 detentos. E o dominar não é força de expressão.

"O Estado não tem o poder sobre a unidade. Há uma ala administrativa, onde os agentes ficam, mas eles não têm acesso à parte das celas, que estão abertas. Comida, medicamentos e mantimentos são passados pelos agentes, mas quem controla são os internos", disse o advogado da OAB do Ceará Cláudio Justa, presidente do Copen (Conselho Penitenciário).

Ligado à Secretaria de Justiça e Cidadania do Ceará, o Copen é formado por membros da sociedade civil para fiscalizar os presídios.

Para evitar mortes como as que ocorreram em outros presídios do Brasil, a gestão do governador Camilo Santana (PT) dividiu parte de suas penitenciárias por facções.

A CPPL 1 abriga membros do Comando Vermelho, a 2, do GDE, a 3, do PCC e a 4, da Família do Norte. Nessas outras unidades, diz Justa, os agentes têm controle maior. "Mesmo assim porque o governo acaba cedendo a alguns pedidos dos detentos."


MODUS OPERANDI

Na chacina no fim do mês passado, os relatos indicam que cerca de 15 homens ligados ao GDE atiraram a esmo, sem se importarem se acertavam pessoas sem ligação com o Comando Vermelho.

Dos 14 mortos, só três tinham passagem pela polícia e oito eram mulheres elas tinham entrada gratuita na festa naquela noite.

"Eles fazem esses atos por vingança. Na visão deles, atiravam ali porque era uma festa do rival, e quem estava ali fazia parte do grupo de uma maneira ou outra", diz Luiz Fábio Paiva, pesquisador do Laboratório de Estudos da Violência (LEV), da Universidade Federal do Ceará.

Com um comando descentralizado e formado na maioria por jovens, segundo investigações, o GDE atraiu muitos garotos principalmente por não cobrar batismo, ou seja, não solicitar dinheiro para a entrada no grupo.

Para Arthur Trindade, professor da UnB e membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o modo como opera faz com que a Guardiões do Estado tenha uma característica mais de uma gangue do que de facção criminosa.

"O termo gangue é para aquele grupo local, de bairros, que acaba expandido, pouco estruturado e normalmente mais violento. Facções são estruturadas, têm códigos de ética que as deixam menos violentas", disse.


OUTRO LADO

Em nota, a Secretaria de Justiça afirmou que, por questões de segurança, não dá informações sobre a organização de internos dentro das unidades prisionais.

Das 16 unidades prisionais no Estado, apenas a Clodoaldo Pinto (CPPL 2) não passou por intervenção, disse o governo. A reforma, com manutenção em celas e acessos internos, será iniciada logo que todos os entraves jurídicos estiverem sanados, completou.

O ano passado se encerrou com 23.533 pessoas encarceradas no Ceará, para um total de 13.072 vagas.

Dos recolhidos, 57% são presos provisórios. Estão sendo criadas novas unidades prisionais, disse o governo, com 2.605 novas vagas a serem entregues ainda em 2018.

Fonte: Folha Uol

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