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domingo, 29 de julho de 2018

A inteligência é a melhor arma

Em artigo sobre ataques a ônibus e a estabelecimentos em Fortaleza, o delegado Diego Barreto sugere estratégias mais eficazes no combate à ação de facções. Confira:
As facções criminosas surgiram no início dos anos 90 a título de organização dos presos que buscavam um sistema carcerário menos desumano. No entanto os chefes desse embrião de crime organizado acabaram percebendo a viabilidade econômica dos movimentos e passaram a usar o dinheiro arrecadado, vindo de uma mensalidade cobrada para todos os envolvidos, para fomentar mais práticas criminosas, por meio de mais armas e drogas. Em troca, ofertavam proteção nas unidades prisionais.

Hoje as facções têm funcionamento de empresas, cooptando jovens, espalhando seus tentáculos por toda a sociedade e devolvendo esse investimento” em rentabilidade e segurança para seus filiados. Contraditoriamente, nós policiais, prendemos cada vez mais bandidos, chefes importantes dessa estrutura criminosa. Porém a impressão que nos resta é que depois de um tempo no cárcere eles voltam mais fortalecidos, com mais integração e conhecimento das formas de burlar o estado, em face do networking.

E qual a solução? Além de dificultar a comunicação nos presídios, a solução passa pela investigação. Investigar onde esses criminosos aplicam o dinheiro arrecadado. O velho e bom, “siga o dinheiro” na intenção de fechar essa torneira que abastece de dinheiro a logística dos faccionados, bloqueando seus recursos e os utilizando para financiar a batalha contra eles mesmos. Atacá-los então em duas frentes: ação e inteligência. A segunda, sobretudo.

O Rio Grande do Sul em 2017 conseguiu arrecadar 67,5 milhões de reais em bens apreendidos e contas bloqueadas. A título de exemplo, no caso emblemático da morte dos dois chefes do PCC aqui no Ceará, a policia Civil conseguiu o bloqueio de R$12,5 milhões. Em apenas um único caso. Esses valores precisam ser utilizados, única e exclusivamente, para investimento em tecnologia e capacitação do policial que investiga essas organizações criminosas. Hoje o dinheiro vai para um caixa geral e se dilui em meio a tantas necessidades. Portanto é hora de pensar que o momento é de usar a ferramenta mais importante do Estado, e que o crime organizado não tem: inteligência policial.

Diego Barreto
Delegado Titular da Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos e Cargas – DRFVC

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