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quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

7º dia de ataques tem lixo nas ruas e transporte público caótico

Onda de violência que assola a Capital completa uma semana. Serviços públicos e privados continuam sofrendo as consequências dos ataques, com prejuízos que recaem sempre no mesmo lugar: o da população.

Horário de pico na Av. Bezerra de Menezes, um dos principais corredores de mobilidade de Fortaleza. Contrariando a promessa do Sindiônibus de que "a população voltaria a contar normalmente com o transporte público na segunda-feira (7)", passageiros se aglomeravam nas paradas, desde as 6h30, para tentar, muitas vezes em vão, embarcar nos coletivos superlotados. Linhas que deveriam circular nas estações do BRT trafegavam nos pontos normais, denunciando a possível redução do número de veículos adaptados.

Nos terminais urbanos de integração, passageiros relataram melhora em relação à disponibilidade de ônibus, mas reclamaram do tempo de espera por algumas linhas. "A chegada e a saída de casa estão muito difíceis. Muitas empresas não disponibilizam táxi pra pegar a gente", relatou a auxiliar de laboratório Renata Teles, enquanto aguardava pelo transporte no Terminal do Siqueira - onde três linhas não estavam circulando. Em outro ponto, no Terminal de Messejana, a movimentação era intensa, mas pelo menos cinco linhas tiveram a circulação interrompida.

Além do direito de ir e vir, a saúde pública também tem levado tiros certeiros: com a coleta prejudicada, os amontoados de lixo doméstico, podas de árvores e móveis descartados se espalham por diversos bairros da Capital. Somente na manhã de ontem, a reportagem percorreu e presenciou a falta de limpeza urbana no Benfica, Jardim América, Farias Brito, Bom Futuro, Jardim Iracema, Pirambu, Montese, Damas e Jacarecanga.

Nestes dois últimos, as maiores quantidades de resíduos se concentravam justamente ao lado de Ecopontos da Prefeitura de Fortaleza. A situação, conforme a aposentada Bernadete Rabelo, 60, é comum no bairro Damas - mas está agravada pela falta de coleta. Diariamente, tem pessoas colocando lixo aqui, e agora está pior, estão trazendo de outros cantos pra cá", lamenta.

Nas ruas do bairro Montese, vias e calçadas estão tomadas por resíduos, favorecendo a proliferação de insetos e roedores. Segundo moradores e comerciantes, a coleta, programada para as terças, quintas-feiras e sábados, passou pela última vez há uma semana.

Assim, eles têm recorrido a carroceiros para tirar sacolas de lixo da porta de casa. "O caminhão deveria ter passado quinta, mas nada. O lixo está tomando conta da rua, e os carroceiros cobram até R$ 10 pra levar", relatou a dona de casa Irionete Moura, 22. Próximo dali, um ponto crônico de resíduos do bairro duplicava de tamanho, conforme moradores. Segundo o mecânico Mailson Jackson, 27, "o caminhão até passou escoltado, mas não levou lixo nenhum" na Rua Barão de Sobral. Pelo menos dois caminhões de limpeza urbana da Ecofor foram vistos pela reportagem atuando com escolta da Guarda Municipal, ontem.

Saúde

A saúde como serviço público também está prejudicada em outro viés: o do atendimento em unidades de atenção primária. Ontem, o Posto de Saúde Argeu Herbster, no bairro Bom Jardim, permaneceu fechado, devido a supostas ordens de facções locais. No posto Dr. Fernando Façanha, no Jardim Iracema, segundo a coordenação, uma das médicas questionou se poderia suspender o atendimento, "o que foi prontamente negado, já que não recebemos nenhuma orientação para isso".

Em nota publicada ontem, o Sindicato dos Médicos do Ceará recomendou "a todos os médicos de Fortaleza e municípios que estejam sofrendo com os atentados violentos registrados nos últimos dias no Estado a não comparecerem aos seus locais de trabalho até que lhe sejam assegurados as condições mínimas de segurança". A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) lamentou a orientação e informou que "os profissionais que não cumprirem a jornada de trabalho nos Postos de Saúde, prestando atendimento à população, terão o ponto cortado com desconto salarial".

A SMS declarou ainda que "a Prefeitura segue se mobilizando para garantir a manutenção de serviços públicos prioritários como saúde, transporte coletivo, coleta de lixo e iluminação pública", e que "todos os órgãos municipais têm funcionado, recebendo apoio dos órgãos de Segurança do Estado, da União e Guarda Municipal".

Em Messejana, as visitas domiciliares realizadas pelas equipes do Hospital Geral Waldemar de Alcântara foram suspensas no período da tarde, segundo informou um profissional que não quis se identificar. Além disso, um comunicado enviado à equipe informava da liberação antecipada dos funcionários da unidade, às 17 h. A assessoria de comunicação do hospital, no entanto, negou as informações e disse que o fluxo de atendimento seguiu normalmente.

Comércio

Todo o comércio na Rua do Hospital, no Guajiru, estava com as portas fechadas na tarde de ontem. Segundo um morador local, o aviso de que deveriam fechar as lojas chegou no fim da manhã.

Na Av. Dr. Theberge, uma das principais do Pirambu, diversos pontos comerciais deixaram de funcionar, mesmo com a presença massiva de motos e carros da Polícia Militar. Os que continuaram abertos foram tachados como "corajosos". "Eu preciso trabalhar, o jeito é abrir. Infelizmente, a gente tem que correr esse perigo", relatou um comerciante, sem se identificar.

No Centro da cidade, a movimentação foi definida como "precária" pelo presidente do Sindilojas, Airton Boris. "Nós temos 58 lojas. Eu me comuniquei com os gerentes e eles dizem que só grupos pequenos de clientes estão circulando pelos estabelecimentos. Por uma questão de ajudar os colaboradores, pela segurança, nós vamos fechar a partir de 17h30", estimou.

(Diário do Nordeste)
Foto José Leomar

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