O ministro da Fazenda, Dario Durigan, criticou a decisão do governo dos Estados Unidos de aplicar sanções contra brasileiros e empresas acusados de manter vínculos com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Em entrevista concedida à TV Record nesta quarta-feira (1º), o ministro afirmou que a responsabilidade pelo combate ao crime organizado no Brasil cabe às autoridades nacionais.
"Quem tem que cuidar de segurança pública no Brasil são os brasileiros. É a polícia brasileira, são os investigadores brasileiros, é o Coaf, é a Receita Federal", declarou.
Durigan também defendeu que a cooperação entre os países ocorra por meio do compartilhamento de informações, sem medidas unilaterais que possam afetar pessoas ou empresas brasileiras.
"E se eles, a pretexto de quererem combater o Comando Vermelho e o PCC, atingirem uma empresa legal? Esse é o problema, o cidadão não sabe como recorrer", afirmou.
As declarações foram feitas após o governo norte-americano anunciar as primeiras sanções contra brasileiros com base na recente classificação do PCC e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Segundo as autoridades dos Estados Unidos, as medidas atingem dois brasileiros, três empresas sediadas no Brasil e uma companhia em Portugal, acusados de participar de um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC. De acordo com o governo americano, a organização teria movimentado mais de US$ 30 milhões — cerca de R$ 156,6 milhões — provenientes do tráfico internacional de drogas e de outras atividades ilícitas.
Entre os sancionados está Victor Henrique de Oliveira Shimada, apontado como líder do núcleo paulista do esquema e responsável por intermediar contatos entre integrantes do PCC na Flórida e traficantes internacionais.
Também foi incluída na lista Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, descrita pelas autoridades americanas como colaboradora próxima de Shimada, responsável por auxiliar na coleta de dinheiro em espécie e no apoio logístico das operações.
As sanções também alcançam as empresas Victory Trading, Pixwave Soluções de Pagamentos e Wave Construções Inteligentes, todas sediadas no Brasil, além da empresa portuguesa Avenidas Flutuantes Unipessoal.
Com a decisão, todos os bens e interesses dos sancionados sob jurisdição dos Estados Unidos ficam bloqueados. Além disso, cidadãos, empresas e instituições financeiras norte-americanas estão proibidos de realizar qualquer transação comercial ou financeira com os alvos das sanções.
Via portal Folha do Estado














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