A China, principal destino da carne bovina brasileira, passou a aplicar uma sobretaxa de 55% sobre as importações que ultrapassarem a cota anual isenta de 1,106 milhão de toneladas destinada ao Brasil. Como já existe uma tarifa-base de 12%, a carga tributária total para o volume excedente chega a 67%, tornando o produto brasileiro significativamente menos competitivo no mercado chinês. Notíciasdo Brasil
A medida funciona como uma salvaguarda comercial criada pelo governo chinês para proteger sua produção interna e já provoca impactos na cadeia produtiva brasileira.
Brasil praticamente esgotou a cota
Segundo levantamento da consultoria StoneX, até o fim de junho o Brasil já havia comprometido 98,5% da cota anual, considerando os embarques realizados.
Levando em conta o intervalo médio de aproximadamente 45 dias entre o embarque no Brasil e a chegada da carga aos portos chineses, a expectativa é que o limite seja completamente preenchido ainda em agosto. A partir desse momento, qualquer novo embarque destinado à China estará sujeito à tributação total de 67%.
Pelos dados de internalização da carga — ou seja, da carne efetivamente desembarcada em território chinês — cerca de 72% da cota havia sido utilizada até 30 de junho.
Exportações recordes aceleraram o esgotamento
O avanço acelerado ocorreu justamente porque os frigoríficos intensificaram os embarques no primeiro semestre.
Dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) mostram que o Brasil exportou 1,705 milhão de toneladas de carne bovina entre janeiro e junho de 2026, gerando receita de aproximadamente US$ 9,85 bilhões, o maior volume já registrado para o período.
Grande parte dessa antecipação ocorreu exatamente em razão da nova política chinesa de cotas.
China absorve mais da metade da carne brasileira
Hoje, aproximadamente 52% de toda a carne bovina exportada pelo Brasil tem como destino o mercado chinês. Notíciasdo Brasil
Em 2025, o país embarcou cerca de 1,68 milhão de toneladas para a China, volume aproximadamente 35% superior à cota estabelecida para 2026.
Com o novo limite, aproximadamente 580 mil toneladas que tradicionalmente seriam enviadas aos chineses precisarão ser redirecionadas ao mercado interno ou a outros compradores internacionais.
Frigoríficos reduzem abates e concedem férias coletivas
Mesmo antes do esgotamento oficial da cota, os efeitos começaram a aparecer na indústria.
Segundo a StoneX, diversos frigoríficos passaram a reduzir o ritmo de abates destinados ao mercado chinês e iniciaram férias coletivas em várias unidades, especialmente no Mato Grosso.
A analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Larissa Barboza Alvarez, afirmou que a primeira reação da indústria foi diminuir os abates diante da expectativa de menor volume exportado.
Mais carne no mercado interno pressiona preços
Com menor capacidade de exportação para o principal comprador mundial, cresce a expectativa de aumento da oferta de carne bovina no mercado doméstico.
No curto prazo, esse movimento tende a exercer pressão baixista sobre os preços pagos aos pecuaristas, enquanto frigoríficos buscam alternativas para comercializar o excedente.
Setor pode perder até R$ 16,5 bilhões
A Abiec estima que as exportações brasileiras de carne bovina possam registrar uma queda de até 10% em 2026 na comparação com o ano anterior. Astronomia
Caso a projeção se confirme, o impacto financeiro poderá alcançar aproximadamente US$ 3 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 16,5 bilhões em receita para o setor.
Exportações devem reagir apenas no quarto trimestre
A StoneX avalia que o fluxo de embarques para a China deverá voltar a ganhar força apenas no quarto trimestre, quando começa a vigorar a nova cota referente a 2027.
Enquanto isso, frigoríficos precisarão buscar novos mercados ou ampliar as vendas internas para compensar a redução do acesso ao principal comprador da carne bovina brasileira.
Outros países ainda possuem espaço
O relatório destaca que a Austrália também já esgotou sua cota de exportação para a China.
Já Argentina, Uruguai e Estados Unidos ainda possuem espaço dentro de seus respectivos limites, embora existam dúvidas sobre a capacidade desses países de ampliar rapidamente sua oferta para suprir a demanda chinesa.
Via portal Folha do Estado




























