A sanha criminosa que vem atingindo Fortaleza ganhou mais um capítulo brutal. Roseany Lima, de 48 anos, e Wallace Oliveira, de 46, foram mortos a tiros enquanto trabalhavam em seu trailer de lanches, no Novo Mondubim. Durante o dia, o casal também trabalhava com transporte escolar; à noite, preparava lanches para complementar a renda. Agora, três filhos ficam sem pai e sem mãe. Independentemente da motivação do duplo homicídio — que ainda precisa ser esclarecida pela investigação —, há uma realidade impossível de suavizar: quando criminosos executam trabalhadores em pleno exercício de suas atividades, não são apenas duas vidas que desaparecem. Uma família é destroçada, filhos ficam órfãos e uma comunidade inteira recebe a mensagem de que a violência pode alcançar quem simplesmente trabalha e tenta viver.
Polícia Militar, Perícia Forense e Polícia Civil foram acionadas, e o DHPP realiza diligências para identificar os autores. É indispensável que sejam encontrados e responsabilizados. Mas a sociedade cearense precisa de algo além da resposta posterior a cada cadáver: precisa de prevenção, inteligência, investigação, ocupação territorial e presença permanente do Estado onde o crime tenta impor suas próprias regras. Fortaleza não pode naturalizar famílias destruídas e trabalhadores assassinados como mais uma ocorrência na estatística. Segurança pública também se mede pelo direito de abrir um pequeno comércio, trabalhar à noite e voltar vivo para casa. Como tenho repetido: “O crime só vence o Estado quando existe omissão, incompetência e/ou conivência.” — César Wagner, editor.
Blog do César Wagner












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