Os Correios abriram um novo Plano de Demissão Voluntária (PDV) com a expectativa de desligar até 7 mil funcionários. A medida faz parte do plano de reestruturação da estatal e visa conter a grave crise financeira que acumula prejuízos bilionários.
Diferentemente da primeira rodada do programa, lançada no primeiro semestre, a direção dos Correios não estabeleceu uma meta fixa de adesões. O novo plano será direcionado exclusivamente a funcionários de unidades que serão extintas, incluindo agências e centros de tratamento e armazenamento de cargas.
“A medida foi concebida para atender às adequações e particularidades decorrentes do processo de reestruturação da empresa. As estimativas de adesão e os impactos financeiros estão contemplados nos estudos e nas projeções econômicas divulgados anteriormente”, afirmou a estatal em nota.
Primeiro PDV teve adesão abaixo da esperada
No primeiro PDV, lançado em fevereiro e encerrado em março, cerca de 3,1 mil funcionários aderiram ao programa — longe da meta inicial de 10 mil desligamentos. Apesar do resultado abaixo do esperado, a estatal afirma ter alcançado uma economia equivalente a 45% da meta de R$ 1,4 bilhão prevista para a ação.
Indenizações e o rombo nas contas
O incentivo financeiro do novo plano será calculado individualmente, considerando tempo de serviço, idade, adicionais por aposentadoria e incorporação. Segundo os Correios, as indenizações variam de R$ 24,4 mil a R$ 459 mil, pagas em parcela única até o décimo dia do mês seguinte ao desligamento, sem incidência de Imposto de Renda ou FGTS.
A medida busca estancar a deterioração das contas da empresa. Os Correios registraram um prejuízo expressivo de R$ 3,1 bilhões apenas no primeiro trimestre deste ano, impulsionado pela queda nas receitas e pelo aumento de obrigações judiciais. O resultado de 2025 também foi negativo em nível recorde, com prejuízo líquido de R$ 8,5 bilhões — mais de três vezes o déficit de R$ 2,6 bilhões registrado em 2024.
Fechamento de agências, venda de imóveis e socorro financeiro
Para tentar reverter o cenário, a reestruturação prevê a alienação de imóveis (com potencial de arrecadação de R$ 1,5 bilhão) e o encerramento das atividades de até mil pontos de atendimento deficitários. Dos cerca de 10 mil pontos existentes no país, 7 mil são próprios ou franqueados — dos quais 85% foram classificados como deficitários em relatório interno de 2024.
Entre outras medidas de corte de gastos, a empresa renegociou contratos com fornecedores (gerando economia de R$ 321 milhões), acertou o pagamento de R$ 702 milhões em precatórios até dezembro e parcelou R$ 2,5 bilhões em tributos em 60 vezes.
O plano de recuperação é dividido em três fases — recuperação financeira, consolidação e crescimento —, com a promessa de reduzir o déficit em 2026 e retornar à lucratividade em 2027. Para suportar o caixa durante o processo, a estatal conta com um empréstimo bancário de R$ 12 bilhões com garantia do Tesouro Nacional.
FONTE: GAZETA BRASIL












1 comentários:
SÓ LEMBRANDO, NESSE ANO TEM ELEIÇÃO, FAZ O L DE NOVO E VEJAM A MAGICA ACONTECER
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