Verônica Sterman diz que valor recebido correspondeu à elaboração de pareceres jurídicos antes de assumir o cargo no Superior Tribunal Militar.
O empresário Ericsson de Azevedo afirmou, em depoimento à Polícia Civil de São Paulo, que atuava como "laranja" da empresa ACX ITC Serviços de Tecnologia, responsável pelo pagamento de R$ 700 mil ao escritório de advocacia da ministra do Superior Tribunal Militar (STM), Verônica Sterman. O caso faz parte de uma investigação sobre um suposto esquema de lavagem de dinheiro e ganhou repercussão após a divulgação de documentos e relatórios financeiros.
Segundo o depoimento, Ericsson declarou que vendeu seus dados pessoais por R$ 5 mil para a abertura da empresa e recebia R$ 1 mil sempre que era chamado para assinar documentos. Ele afirmou que nunca administrou a companhia e que aceitou participar do esquema devido às dificuldades financeiras.
A ACX ITC possui capital social superior a R$ 100 milhões e é apontada em investigações como integrante de uma rede com mais de 40 empresas supostamente ligada ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS". Conforme relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), a empresa movimentou cerca de R$ 918,3 milhões e apresenta indícios de utilização para ocultação de recursos ilícitos. A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS também investiga movimentações atribuídas ao grupo empresarial.
Os R$ 700 mil foram transferidos ao escritório de Verônica Sterman entre outubro de 2024 e fevereiro de 2025, período em que ela ainda exercia a advocacia, antes de ser nomeada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o STM, em setembro de 2025.
Em manifestações anteriores sobre o caso, a ministra afirmou que o pagamento correspondeu à elaboração de três pareceres jurídicos na área criminal e que os honorários foram recebidos antes de sua posse na Corte Militar.
As investigações também identificaram pagamentos da ACX ITC ao escritório do ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Nefi Cordeiro, que afirmou ter prestado serviços advocatícios regulares à empresa e negou qualquer irregularidade.
Via portal Folha do Estado














0 comentários:
Postar um comentário
Comente esta matéria