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sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Abelardo de la Espriella toma posse na Colômbia e promete “caçar” criminosos

Advogado e empresário de direita, eleito com 49,66% dos votos, prometeu endurecimento no combate ao crime e redução do Estado; oposição contesta a vitória, mas sem comprovação de irregularidades.

O advogado e empresário Abelardo de la Espriella tomou posse como presidente da Colômbia nesta sexta-feira (7), em uma cerimônia inédita realizada em Cali, no sudoeste do país. A cidade foi escolhida após o Congresso colombiano autorizar a realização do ato fora da capital, Bogotá, algo que não ocorria há décadas. A mudança de local, no entanto, gerou controvérsia e foi alvo de forte resistência por parte do agora ex-presidente Gustavo Petro e de setores da esquerda colombiana.

“O Tigre chegou” Em seu discurso de posse, De la Espriella defendeu a democracia e pediu respeito ao resultado das urnas. “As eleições que me concederam este mandato ocorreram sob as mesmas regras, as mesmas instituições e as mesmas garantias que permitiram a eleição do governo que hoje chega ao fim. Colocar em dúvida sua legitimidade é desconhecer a vontade soberana do povo colombiano”, afirmou.

O novo presidente, que se apresentou durante a campanha com uma plataforma antissistema e de forte guinada à direita, ordenou às Forças Militares e à Polícia Nacional o combate severo às organizações criminosas e ao narcoterrorismo. Em tom de ultimato, declarou: “Os membros das organizações criminosas e do narcoterrorismo têm dois caminhos: submeter-se ao império da lei ou enfrentar a força decidida do Estado colombiano e de sua força pública”. Na sequência, bradou: “O Tigre chegou”, em referência ao apelido utilizado por ele durante a campanha eleitoral.

Prioridades do governo Entre as principais propostas de De la Espriella estão o endurecimento do combate ao crime organizado, a redução dos gastos públicos, o enxugamento da máquina estatal e a ampliação da exploração de petróleo. Ele também anunciou que a erradicação dos cultivos de coca será uma prioridade nacional e defendeu a retomada da fumigação aérea com herbicidas.

O discurso deu forte ênfase à segurança pública e citou a experiência da Colômbia durante o governo de Álvaro Uribe Vélez, no início dos anos 2000. “A segurança não é construída com concessões ao crime, mas com autoridade e perseverança”, afirmou.

O novo mandatário anunciou ainda a criação de uma força especial voltada ao combate à criminalidade urbana, a revisão da estratégia de segurança contra grupos armados e a adoção de um plano de austeridade que prevê o fechamento de embaixadas e consulados considerados não essenciais.

Oposição contesta a eleição Enquanto a cerimônia de posse era realizada, o senador Iván Cepeda, derrotado por De la Espriella no segundo turno, liderou um ato em Barranquilla ao lado de lideranças da esquerda colombiana e convocou uma “resistência” ao novo governo. Cepeda classificou a manifestação como um ato de “desobediência civil, resistência e soberania popular”.

O senador afirmou que não reconhece a legitimidade do novo governante, argumentando que De la Espriella possui cidadania norte-americana, o que seria incompatível com a defesa exclusiva dos interesses da Colômbia. A dupla nacionalidade, no entanto, é permitida pela legislação do país.

Apesar do tom de confronto, Cepeda ressaltou que a oposição atuará de forma pacífica e dentro dos marcos da Constituição. O protesto reuniu apoiadores, sindicatos e movimentos sociais, com manifestantes chamando Cepeda de “presidente legítimo” e repetindo denúncias de fraude eleitoral. Até o momento, nenhuma autoridade eleitoral, órgão de inteligência ou missão de observação internacional apontou qualquer irregularidade no processo eleitoral.

(Gazeta Brasil)

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