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sábado, 9 de julho de 2011

Termina reconstituição da morte do menino Juan com PMs no Rio


Os 4 PMs suspeitos no caso voltaram à Favela Danon na noite desta sexta.
Criança estava desaparecida desde 20 de junho; corpo foi achado em rio.


juan (Foto: Rodrigo Vianna)
Policiais deixaram o local da reconstituição nesta
madrugada (Foto: Rodrigo Vianna/G1

Após 15 horas de duração, a reconstituiçãodo caso da morte do menino Juan Moraes, de 11 anos, terminou por volta das 2h deste sábado (9), na Favela Danon, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Os quatro PMs suspeitos no caso foram os últimos a serem ouvidos. A polícia deixou o local sem falar com a imprensa.

Além dos quatro PMs, outros três que também estavam perto do local no dia do tiroteio também participaram da reprodução simulada. Por volta das 22h de sexta-feira (8), eles começaram a ser levados para a área do confronto separadamente.
A reconstituição aconteceu dois dias após a chefe de Polícia Civil, Martha Rocha, confirmar a morte do menino. Na noite do dia 20 de junho, Juan vinha da casa de um amigo com o irmão, Wesley, de 14 anos, quando foi atingido durante um confronto na comunidade. O irmão e outro jovem, Wanderson dos Santos de Assis, de 19 anos, também ficaram feridos.
Durante o dia, Wanderson participou da ação de muletas e encapuzado. Ao contrário do que havia informado a Polícia Civil, Wesley não compareceu ao local da reconstituição. “Todos foram convocados. O Wanderson compareceu, e colhemos depoimento. O resultado final vamos apresentar depois”, acrescentou o diretor da Polícia Técnica, Sérgio Henriques.

Os dois jovens feridos no confronto estão no Programa de Proteção de Testemunha. Mais de 10 policiais da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) isolaram o local onde aconteceu o incidente e ainda ruas que dão acesso ao beco da comunidade. O corregedor da PM, coronel Ronaldo Menezes, também participou.
PMs souberam de morte através da imprensa, diz advogado

O advogado Edson Ferreira, responsável pela defesa dos quatro PMs acusados de envolvimento na morte do menino Juan, informou que os seus clientes são “absolutamente inocentes”. No entanto, ao ser questionado, se um tiro disparado por um dos PMs poderia ter atingido a criança, ele disse que “esse ponto ainda não se discute". Ferreira voltou a dizer que os policiais só souberam da morte de Juan através da imprensa.
Mais cedo, Sérgio Henriques explicou que a reconstituição, que teve início nesta manhã, foi dividida em dois momentos. "O exame de reprodução simulada é um exame, estudamos o que a gente quer no local. Em termos de apresentação de um laudo, fotos em período diurno são importantes”, disse, acrescentando que os policiais envolvidos tinham sido convocados e estariam presentes na parte noturna da reconstituição. Os policiais foram afastados na quarta-feira (6) pelo comandante-geral da PM, coronel Mário Sérgio Duarte.

O corpo de Juan Moraes, que estava desaparecido desde o dia 20 de junho, foi enterrado na noite desta quinta-feira (7) no Cemitério municipal de Nova Iguaçu. A mãe de Juan e o irmão Wesley estão incluídos no Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes Ameaçados de Morte (PPCAAM).
Segundo a chefe de Polícia Civil, Martha Rocha, o corpo do menino foi encontrado na quinta-feira (30), no Rio Botas, em Belford Roxo, na Baixada. O local onde o corpo estava fica a cerca 18 km do local onde o menino foi visto pela última vez. Inicialmente, a perícia disse que o corpo encontrado à beira do rio era de uma menina. Depois foram feitos exames de DNA, que comprovaram que o corpo era de Juan.

"Mesmo que, muitas vezes, a gente erre, como a polícia errou, essas pessoas vão ser responsabilizadas por esse erro, e se, por ventura, esses policiais tiverem qualquer tipo de participação neste fato horrendo, eles vão ser punidos exemplarmente", afirmou, na época, o secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame.


Dois exames de DNA
A confirmação da morte veio através de dois exames de DNA e o material coletado para a identificação do corpo de Juan veio da tira da sandália usada pelo menino quando ele desapareceu, de acordo com o diretor de polícia técnica, Sérgio Henriques.
Ainda de acordo com Henriques, no estado de decomposição em que estava o corpo encontrado era difícil atestar o sexo da criança sem o teste de DNA.
Erro de perita
Segundo Martha Rocha, serão instaurados dois procedimentos. Um deles será para analisar o laudo e o parecer emitido pela perita, já que os resultados do IML e do exame de DNA estavam diferentes. O outro procedimento, segundo a chefe de polícia, é para avaliar as ações adotadas pela 56ª DP (Comendador Soares).
G1

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