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sexta-feira, 11 de outubro de 2019

Gerentes do BB viram réus por forjar sequestro e desviar R$ 59 milhões

Dois gerentes do Banco do Brasil, presos desde o dia 29 de agosto e acusados de integrarem um esquema criminoso interestadual, tornaram-se réus no processo, junto de um terceiro homem, após a Justiça Estadual aceitar a denúncia oferecida pelo Ministério Público do Ceará (MPCE). Pedro Eugênio Leite Araújo e Celso Luiz Grillo de Lucca, gerentes das agências de General Sampaio e Tejuçuoca, no interior do Estado, são acusados de desviar quase R$ 60 milhões do Banco do Brasil.

A denúncia pelos crimes de associação criminosa e fraude, elaborada pelo promotor de Justiça Jairo Pequeno Neto, foi recebida pelo juiz José Cleber Moura do Nascimento, da Comarca de Pentecoste, no último dia 1º de outubro. O Sistema Verdes Mares teve acesso aos documentos.

Conforme a acusação, no dia 22 de agosto deste ano, os criminosos criaram um débito na agência de General Sampaio, com a assinatura dos dois gerentes, e creditaram o valor em uma conta-poupança em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo.

A superintendência do Banco estranhou a atitude dos gerentes porque não houve comunicação a respeito de uma operação que envolvia um alto valor. Após obterem o crédito, "os criminosos continuaram sua empreitada para pulverização dos numerários", afirma o MPCE. Diversas contas bancárias teriam sido utilizadas na divisão do dinheiro, inclusive a de Pedro Eugênio e as contas de parentes de Celso Luiz. Também como forma de lavagem de dinheiro, eles teriam tentado comprar um veículo e uma fazenda.

Para o Ministério Público, Pedro e Celso estavam "totalmente envolvidos" com a situação e, quando perceberam que a trama criminosa não teria êxito, buscaram meios de se isentar, incluindo a procura pelo departamento de segurança do BB e até forjar uma narrativa de sequestro que durou três dias, contada às autoridades.

O mineiro Jeferson Alves Ferreira é o terceiro réu do processo. Segundo o MPCE, em seu interrogatório, ele confessou a trama criminosa e afirmou que os dois servidores públicos estavam envolvidos. Para movimentar a alta quantia, o grupo precisava da assinatura digital de dois gerentes do Banco do Brasil.
Versão de sequestro

No depoimento à Polícia, Pedro Eugênio negou que tenha participado dos crimes e alegou que foi sequestrado e obrigado a realizar, no banco, "todos os procedimentos que demais membros da associação criminosa ordenaram, sob pena de matarem ele e a sua esposa". Além disso, não teria avisado ao banco sobre a extorsão porque estava "com medo de sofrer represálias". Porém, para o MPCE, a versão é "inverídica" e as provas colhidas apontam que Pedro estava na lista de beneficiários para receber, pelo menos, R$ 600 mil. Além disso, afirma que o gerente "ficou o tempo todo na posse de seu celular, dormia em casa e também foi pegar Jeferson no hotel", como revelaram as imagens de câmeras de monitoramento de um hotel em Fortaleza.

Celso Luiz também negou a participação no crime e contou que foi visitado por Pedro e mais dois homens, que se apresentaram como funcionários do banco. Somente depois de entrar em um veículo, ele teria sido informado de que estava sendo monitorado 24 horas por dia e que, se "agisse de forma diversa", matariam a ele, sua mãe e Pedro.

O advogado Waldir Xavier, representante de Pedro, afirma que o cliente foi vítima de extorsão e sequestro. "De repente, ele está no polo ativo como se tivesse cometido o crime. Ele nega veementemente isso. Vamos aguardar sermos citados oficialmente para poder rebater, nos autos, as acusações que lhe são formuladas", pontua.

O advogado Hélio Leitão, responsável pela defesa de Celso Luiz, informa que ainda não tomou ciência do teor da denúncia. "O que podemos assegurar é que ele é inocente, vítima de extorsão. Vítima e não autor de delitos. Impetramos habeas corpus junto ao Tribunal de Justiça e esperamos que sua liberdade seja logo restaurada", declara. A defesa de Jeferson Alves não foi localizada pela reportagem.

O Banco do Brasil informou, em nota, que "apura o caso, seguindo os trâmites previstos em seu processo de gestão disciplinar".

Doleiro

O Ministério Público considera, na denúncia, que é preciso aprofundar as investigações contra um doleiro mencionado nas conversas como 'Kleber', responsável pela indicação de contas para receber o dinheiro do banco; outros familiares dos gerentes; e uma pessoa de nome 'Nangi', que teria um relacionamento amoroso com Jeferson. A pedido do MPCE, a Justiça bloqueou todas as contas que receberam os valores desviados.

(Diário do Nordeste)

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