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quarta-feira, 15 de junho de 2022

Violência contra idosos aumentou 67% no Ceará durante a pandemia

As denúncias de violência contra idosos no Ceará aumentaram 67% de 2019 para 2020, primeiro ano de pandemia. Segundo dados do Disque 100, o número foi de 1.956 casos em 2019 para 3.286 em 2020. Em 2021, o aumento se manteve, com 3.302 denúncias computadas pelo serviço de proteção aos direitos humanos. O Brasil chegou a mais de 80 mil denúncias de violações de direitos desse público em 2021.

Segundo os dados disponibilizados pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, o principal tipo de violação são maus-tratos. Em 2020 e 2021, essa categoria foi a mais denunciada, com 3.325 casos somados nos últimos dois anos. Agressões psicológicas e físicas e abuso financeiro também estão entre os principais crimes denunciados.

É possível traçar um perfil das vítimas e dos agressores com base nos dados disponibilizados pela pasta ministerial do ano de 2021. Desses idosos, a maior parte são mulheres (66%).

As violações geralmente ocorrem dentro de uma casa dividida entre a vítima e o suspeito (55,17%); e os agressores, em maioria, são os próprios filhos (51%).

“Tem uma característica que muitas dessas violações ocorrem em ambiente familiar. Você tem uma situação de grande desigualdade social e muitos conflitos acontecem entre as famílias”, diz o promotor de justiça Alexandre Alcântara. Ele é coordenador auxiliar do Centro de Apoio Operacional da Cidadania (Caocidadania) do Ministério Público do Ceará.


Atenção ao idoso por parte do poder público

Apesar de os dados apontarem para o ambiente familiar como o principal violador de direitos de idosos, o promotor Alexandre Alcântara lembra que as famílias também sofrem com as dificuldades do trabalho de cuidado quase sem ajuda do poder público. “Há uma lacuna muito grande em relação a essas políticas públicas”, diz.

“O Estado fica com o discurso de punir as famílias, mas quais são as políticas públicas que ele oferece para dar suporte a essas famílias?”, questiona o promotor. Para ele, as políticas do município de Fortaleza, por exemplo, são insatisfatórias.

Alexandre lembra a maioria das instituições de longa permanência para idosos na Capital são privadas ou filantrópicas. Não há nenhum equipamento desse tipo mantido pelo Município.

Segundo o chefe da Coordenadoria Especial do Idoso de Fortaleza — órgão ligado à Secretaria Municipal dos Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SDHDS) — Coronel Sérgio Gomes, Fortaleza tem Centros de Cidadania e Direitos Humanos em três bairros que ajudam com a socialização do idoso. Esse público também pode ser atendido nos 27 Centros de Referência da Assistência Social (Cras).

“Antigamente, as famílias eram cuidadoras. Hoje os casais têm um, dois filhos, então não vamos ter cuidadores. Vamos precisar das estruturas do Estado”, defende Alexandre. Ele atenta ainda para a baixa qualidade de atendimentos em casas de longa permanência privadas, lembrando do pedido de fechamento de quatro instituições em outubro de 2021 por problemas no atendimento aos idosos.

(O Povo)

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