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segunda-feira, 6 de abril de 2026

STF condena idoso a 14 anos por Pix de R$ 500 a manifestante do "8 de Janeiro"

A decisão saiu ‘seca’ no papel, técnica como tantas outras — mas, fora dos autos, ela pesa. E pesa muito. O Supremo Tribunal Federal (STF) condenou o empresário catarinense Alcides Hahn, de 71 anos, a 14 anos de prisão em regime fechado. O motivo: um Pix de R$ 500.

O valor foi transferido para o pagamento de um ônibus fretado que levou manifestantes de Blumenau (SC) até Brasília, nos atos de 8 de Janeiro. Hahn não viajou. Não esteve na capital. Não participou diretamente das manifestações. Ainda assim, recebeu a mesma sentença dura, pesada, definitiva.

A condenação, definida em 2 de março de 2026 a partir de denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), enquadrou o empresário em cinco supostos crimes: abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, deterioração de patrimônio tombado e associação criminosa.

O recurso que poderia reavaliar o caso chegou a ser pautado para 20 de março, mas acabou retirado sem nova data definida.

Hahn não é um nome conhecido nacionalmente. É o tipo de figura comum no interior de Santa Catarina: pequeno empresário, descendente de alemães, alguém que ajudou a construir, ao longo de décadas, a base econômica e comunitária de sua cidade.

Segundo o processo, ele não agiu sozinho no financiamento do ônibus. Outros dois homens também ‘contribuíram’: Rene Afonso Mahnke, com R$ 1.000, e Vilamir Valmor Romanoski, com R$ 10.000. Nenhum dos três embarcou na viagem.

A PGR apontou Romanoski como uma suposta “figura de liderança” nas mobilizações em Blumenau, responsável por organizar manifestantes e estruturar a logística. Já no caso de Hahn, o cenário é outro — mais difuso, menos direto.

Em audiência no STF, o empresário afirmou que realizou a transferência após um pedido de um conhecido. Disse que acreditava estar apenas emprestando dinheiro, sem saber o destino exato. O dono da empresa de ônibus, por sua vez, declarou que, ao ver o Pix, presumiu que se tratava de pagamento relacionado ao fretamento.

A defesa sustenta que toda a acusação contra Hahn se apoia exclusivamente nesse único depósito de R$ 500. Argumenta que não há provas de que ele soubesse para que o dinheiro seria usado, nem de que tivesse qualquer envolvimento com atos ilícitos. Para os advogados, a condenação se baseia em uma suposição — não em evidências concretas.

Mesmo assim, a punição foi estabelecida com rigor máximo.

Além da pena de prisão, a decisão impõe 100 dias-multa — cada um equivalente a um terço do salário mínimo —, a inclusão do nome dos réus no rol dos culpados, o pagamento de custas processuais e uma condenação coletiva por danos morais que chega a R$ 30 milhões.

Em despacho anterior, de outubro de 2024, Alexandre de Moraes afirmou que não há ilegalidade caso a PGR opte por não oferecer Acordo de Não Persecução Penal aos envolvidos.

No fim: um homem de 71 anos, sem histórico de protagonismo político, condenado a mais de uma década de prisão por uma transferência de R$ 500 — valor que, segundo ele, sequer sabia para onde iria. (Via porta Direita Online / Foto: reprodução)

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