O Partido dos Trabalhadores (PT) divulgou nesta segunda-feira (8) uma carta aberta direcionada ao eleitorado evangélico brasileiro. O documento, elaborado durante o IV Encontro Nacional de Evangélicos do PT, realizado em Brasília, combina referências bíblicas com propostas de governo e defende a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2026.
Logo no início, a carta afirma que os evangélicos brasileiros não formam um bloco político homogêneo e ressalta que o encontro não pretende falar em nome de todas as denominações religiosas do país. O texto também critica o que chama de tentativa de transformar a fé em instrumento de manipulação política.
Estruturado com base em passagens bíblicas, o documento utiliza versículos de livros como Isaías, Tiago, Mateus, Efésios e Pedro para introduzir temas relacionados a políticas públicas e questões sociais. Segundo os organizadores, as referências religiosas servem para fundamentar valores ligados à justiça social, solidariedade e combate às desigualdades.
Entre as propostas defendidas estão a ampliação de programas sociais como Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida e Farmácia Popular. A carta também manifesta apoio a medidas já defendidas pelo governo federal, incluindo a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para trabalhadores que recebem até R$ 5 mil mensais e o fim da escala de trabalho 6x1.
O documento ainda aborda temas como fortalecimento da agricultura familiar, Reforma Agrária, políticas de primeiro emprego para jovens, ampliação da assistência à saúde da mulher e ações voltadas ao acesso da população negra ao sistema de Justiça.
Questões ambientais também aparecem na carta. O texto defende a preservação das florestas, das águas e da biodiversidade brasileira, utilizando a expressão “Casa Comum”, termo amplamente associado ao papa Francisco e frequentemente empregado em debates sobre sustentabilidade e proteção ambiental.
A iniciativa ocorre em um momento em que o PT busca ampliar sua presença junto ao eleitorado evangélico. De acordo com dados do Censo Demográfico de 2022, realizado pelo IBGE, os evangélicos representam 26,9% da população brasileira, sendo que as mulheres correspondem à maioria desse segmento.
Nos últimos anos, pesquisas de opinião têm apontado dificuldades do presidente Lula em conquistar apoio majoritário entre os eleitores evangélicos. O tema ganhou destaque novamente após episódios de desgaste entre setores religiosos e integrantes da base governista.
Durante o encontro que deu origem à carta, a primeira-dama Janja da Silva reconheceu que o partido se distanciou das igrejas ao longo dos anos e defendeu a retomada do diálogo com esse público.
A divulgação do documento também ocorre poucos dias após a realização da Marcha para Jesus, em São Paulo, um dos maiores eventos evangélicos do país. A celebração contou com a presença de diversas lideranças políticas, entre elas o senador Flávio Bolsonaro (PL). Lula não participou do evento e afirmou que optou por não comparecer para evitar qualquer interpretação de uso político de uma manifestação religiosa. O presidente foi representado pelo ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias.
Via portal Folha do Estado
foto portal Poder 360













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