Segundo o Ministério Público, Juliana Maria Teixeira da Costa teria desviado R$ 41,2 mil para pagamento de ritual espiritual; defesa não se manifestou.
A vice-prefeita de Ribeira (SP), Juliana Maria Teixeira da Costa, está afastada do cargo desde agosto de 2025 após ser denunciada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) por peculato. O caso envolve a suspeita de desvio de R$ 41,2 mil de recursos públicos que, segundo a investigação, teriam sido usados para custear uma suposta “amarração amorosa”.
De acordo com o MP-SP, o valor teria sido destinado ao pagamento de uma mãe de santo para a realização de um ritual com o objetivo de afastar o então coordenador municipal de Saúde, Lauro Olegário da Silva Filho, de sua esposa e criar um vínculo afetivo com a vice-prefeita.
As investigações apontam que o pagamento não teria sido feito diretamente. O repasse, segundo o Ministério Público, teria ocorrido por meio da empresa W.F. da Silva Treinamentos, contratada pela Prefeitura. O proprietário, Willian Felipe da Silva, também foi denunciado, assim como o próprio coordenador municipal de Saúde.
A defesa de Juliana não se manifestou sobre as acusações até o momento.
A responsável pelo ritual, identificada como Mentora Samantha, afirmou que o valor combinado pelo trabalho seria de R$ 380 mil e disse ter tido prejuízo após não receber o montante integral. “Expliquei para ela que era um sacrifício muito forte, que a espiritualidade ia dar ele por inteiro para ela”, declarou.
Segundo o Ministério Público, os investigados também são apontados como integrantes de uma suposta associação criminosa que teria atuado entre 2021 e 2024 em fraudes em licitações na área da saúde no município, com uso de notas fiscais falsas e desvio de recursos públicos.
Diante das suspeitas, a Justiça determinou a suspensão de contratos ligados aos pregões investigados. O MP inclui entre os crimes atribuídos à vice-prefeita associação criminosa, fraude à licitação, uso de documento ideologicamente falso e peculato.
Em tese, especialistas ouvidos no processo indicam que, caso haja condenação com a soma das penas, a punição poderia chegar a cerca de 12 anos de reclusão, além de eventual cumprimento inicial em regime fechado, dependendo da decisão judicial.
Além das implicações penais, o caso pode gerar efeitos na vida política da vice-prefeita. Em condenações por crimes contra a administração pública, a legislação prevê a possibilidade de perda do cargo e ressarcimento dos valores desviados.
No campo eleitoral, também pode haver enquadramento na Lei da Ficha Limpa, o que poderia levar à inelegibilidade por período previsto em lei, caso haja condenação definitiva. A investigada ainda responde a uma ação de improbidade administrativa, que pode resultar em multa civil, suspensão dos direitos políticos e perda da função pública, se as acusações forem confirmadas pela Justiça.
Via portal Folha do Estado














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