Em 1987, a proporção de pessoas infectadas com o vírus da Aids no Ceará era de 11 homens para uma mulher. Atualmente, a cada dois homens uma mulher é infectada. O dado divulgado pela Secretaria da Saúde do Estado (Sesa) revela um aumento significativo no número de mulheres portadoras de HIV. O Ministério da Saúde chama esta mudança de "feminização" da doença.
De 1987 até maio deste ano, a Sesa registrou 2.917 casos de mulheres infectadas pelo vírus no Ceará. Destas, 1.092, ou seja, 37,33% tinham entre 30 e 39 anos. Segundo a Secretaria, em 1987, 11 homens e apenas uma mulher foram infectados. Já em 2010, a proporção de contaminação foi de 244 homens para 96 mulheres.
O número de novos casos cresceu 2.118% entre homens comparando os anos de 1987 e 2010. Já entre as mulheres, as novas vítimas do HIV, em 2010, superaram em 9.500% a quantidade registrada em 1987.
Outro dado revelado é que 88% do total das mulheres infectadas mantinham relações sexuais somente com homens. Foi o caso da secretária Credileuza Costa de Azevedo, 41, que há 18 anos, foi contaminada pelo marido. Segundo ela, o vilão da história foi o preconceito. "Ele sabia que era portador do vírus e não contou pra mim. O preconceito foi tão grande que ele não concordou em fazer o tratamento e faleceu há 15 anos".
Credileuza conta que descobriu por acaso em um exame de rotina que era HIV positivo. A secretária ressalta que o diagnóstico precoce além de salvar a vida dela livrou a filha de ser portadora. "Quando descobri que era soropositivo fui em busca de ajuda médica. Logo que engravidei procurei me informar de como livrar minha filha do vírus e hoje, por causa do tratamento que realizei durante a gestação, ela é uma adolescente saudável", comemora.
Para Telma Martins, coordenadora do Núcleo de Prevenção da Aids da Sesa, a feminização da doença não é somente uma realidade local. Em todo o Brasil os dados são semelhantes ou ainda piores. Entre os fatores que acarretaram esta situação, ela destaca a vulnerabilidade feminina e a falta do uso de preservativos. Além disso, o baixo poder aquisitivo, a baixa percepção do risco da doença, as questões de gênero, violência e a falta de políticas públicas contra o HIV também contribuem para essa realidade.
Outra informação importante apontada por Telma Martins, é o aumento de casos em mulheres com 50 anos ou mais. De 1997 a 2001, o Ceará registrou 174 novas ocorrências. Já de 2002 a 2006 foram 252 casos, representando um acréscimo de 45%. E os números não param de crescer. Segundo Telma, de 2007 a 2011 foram registrados 322 casos de Aids nesta faixa etária. "Hoje, a vulnerabilidade sobrepõe os grupos de risco e o vírus atinge todas as faixas etárias, cores, e classes sociais".
Ainda segundo Telma Martins, o diagnóstico precoce para as mulheres é essencial tanto para a eficácia do tratamento quanto para prevenir que o vírus seja transmitido para o bebê durante a gestação. Telma Martins explica que, cerca de 90% dos HIVs positivos femininos menores de 13 anos no Estado foram infectados por transmissão vertical, ou seja, na hora do parto. "Se a mãe fizer o tratamento e o bebê for acompanhado nas seis primeiras semanas de vida, ele tem 80% de chance de não ser infectado", ressalta.
Prevenção
Conforme o coordenador de Promoção e Proteção à Saúde da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), Manuel Fonseca, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece dois tipos de teste para detectar o vírus durante a gestação. Ele explica que toda gestante precisa fazer um exame no início da gravidez e outro no fim, pois existe uma "janela imunológica", ou seja um intervalo de seis meses entre a transmissão e a manifestação do vírus HIV.
Atualmente, não é mais possível classificar grupos de risco, e sim comportamentos de risco. "A troca de parceiros e o excesso de confiança fazem com que as mulheres desistam de usar camisinha. É importante se proteger", frisa.
Telma Martins enfatiza a importância de políticas públicas. Segundo ela, a Sesa lançou em 2009, o Plano de Enfrentamento da Feminização da Aids, com abrangência intersetorial. O programa visa ampliar o acesso ao preservativo, inserir a educação sexual nas escolas, desenvolver ações de redução da transmissão vertical do HIV e da sífilis e a distribuição de insumos e materiais educativos. "Um dos principais objetivos é reduzir o baixo poder de "percepção" do vírus entre as mulheres".
Fonte: Diário do Nordeste
terça-feira, 19 de julho de 2011
Casos de Aids crescem mais entre as mulheres no Ceará
terça-feira, julho 19, 2011
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