segunda-feira, 20 de abril de 2020

Cartão sob empenho: auxílio emergencial corre o risco de ir para os comerciantes

Dona Sandra Araújo, 41, moradora da localidade de Pedra de Fogo, em Sobral, estava muito feliz com um mil e 800 reais que ela conseguiu sacar na Caixa Econômica. O dinheiro do Bolsonaro, como ela diz, poderia ter ido direto para a comerciante onde seu cartão do Bolsa Família estava empenhado. Ela resgatou seu cartão com a ajuda do Conselho Tutelar de Sobral.
Uma casa de 30 metros quadrados, de um só cômodo, sem água, sem luz, sem banheiro, sem portas, à beira da estrada que vai de Sobral para Coreaú, abriga a família de dona Sandra Araújo, composta por oito pessoas. Entre elas duas crianças. Na única sala, a mobília é composta de um pequeno guarda-roupa, um fogão a lenha, improvisado no chão, e quatro colchões velhos, sujos e rasgados, que à noite são espalhados. “A gente dorme uns sobre os outros”, disse Sandra. Usam os matos como banheiro.
A renda da família vem do marido, Elivelton, quando arranja o que fazer na roça. O sustento mesmo vem de auxílio do governo: bolsa família e benefício previdenciário para uma filha com deficiência auditiva. Os dois cartões estavam na mão de uma comerciante da localidade de Aroeiras, conhecida como Claudete. Eles ficavam empenhados para compras a prazo, e como garantia de um empréstimo.

Dona Sandra, sem saber ler nem escrever, achava que não teria direito ao auxílio emergencial porque a comerciante assim o dissera. “Ela disse que nós não tinha direito por causa da aposentadoria da minha filha”, disse. A família foi salva quase por acaso, mas pela atuação dos conselheiros tutelares de Sobral Juscelino Sousa e Rony Lira.

A reportagem do Sobral Post tomou conhecimento do caso ao ver postagem de Juscelino Sousa em sua rede social. Os dois conselheiros, por iniciativa de Rony Lira, conseguiram cesta básica para ajudar a família. “Próximo passo, é tentar o aluguel social, para que mudem de residência, que é totalmente insalubre”, disse Juscelino Sousa.

Foi o conselheiro que orientou que a família teria direito ao benefício. Ele foi pessoalmente, acompanhado da filha de Sandra, conversar com a comerciante para convencê-la a devolver o cartão. Segundo se comenta, é uma prática comum o empenho do cartão, que fica na mão dos comerciantes.

A reportagem tentou ouvir a comerciante. Foi enviada mensagem para Sâmia Prado, que se apresentou como advogada e filha de Claudete. No entanto, não houve resposta. Uma pessoa ligou para o repórter, deu o nome de Renata e disse que era advogada, falando ora na primeira pessoa, ora na terceira pessoa: “minha cliente não vai responder, é tudo mentira”, disse.

Fonte: Sobral Post / Luciano Clever
Fotos: Wellington Macedo

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