terça-feira, 18 de agosto de 2020

Primo do traficante Talvane assumiu chefia de quadrilha em Itapipoca

Draco levantou que o suspeito voltou de São Paulo para o Ceará, após a morte do líder da organização criminosa. Homem foi preso em flagrante na posse de munições, na Operação Dominus, no mês passado, e já virou réu pelo crime.

Com o assassinato do traficante e assaltante de banco Francisco Talvane Teixeira, um primo dele, identificado como Marcílio Pires de Sousa, o 'Curió', veio de São Paulo para o Ceará para assumir a chefia da organização criminosa que comanda o tráfico de drogas em Itapipoca, na Região Norte do Estado. A descoberta foi feita pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), da Polícia Civil, durante a Operação Dominus.

Talvane foi executado a tiros por três homens que simulavam ser policiais, na frente dos seus advogados, na saída de um restaurante onde almoçavam, no bairro Cidade 2000, em Fortaleza, no dia 26 de abril do ano passado. Ele era condenado pela Justiça Estadual por homicídio e associação criminosa e respondia ainda por roubo a uma empresa de transporte de valores e por sequestro.

O relatório policial da Draco afirma que Talvane era um "famoso assaltante de banco e chefe de organização criminosa", que "escolheu a sua terra natal, Itapipoca, para exercer seu comando, após a construção de vultoso patrimônio, se colocando acima de todas as autoridades e sendo considerado um verdadeiro 'Deus' pelos moradores do citado município, uma vez que, assim como fazia Pablo Escobar (traficante colombiano), utilizava de violência (ordenando homicídios, torturas, traficando drogas, etc) para manter uma falsa paz na região". O domínio, conforme a Draco, durou décadas e não permitia venda de crack na região nem roubos e furtos a comércios.

Como já investigava Talvane e o prendeu em janeiro de 2018, a Draco percebeu que a organização criminosa continuava a funcionar. As apurações apontaram que Marcílio Pires de Sousa - com passagens pela Polícia por tráfico de drogas, uso de documento falso e descaminho - voltou para a terra natal para assumir a chefia da quadrilha. Ele passou a residir em um sítio em Itapipoca, cercado por muros, cercas de arame farpado e câmeras de videomonitoramento e a andar acompanhado de supostos seguranças. A residência foi um dos 16 alvos de mandados de busca e apreensão cumpridos na Operação Dominus, deflagrada em 23 de julho último, após determinação da Vara de Delitos de Organizações Criminosas. No imóvel, a Polícia Civil recolheu apenas documentos e não encontrou 'Curió'.

Responsável pela defesa de Marcílio de Sousa, a advogada Erbênia Rodrigues sustenta que ele não é membro de organização criminosa e rebate a narrativa da Polícia Civil de que ele veio de São Paulo para liderar uma quadrilha que domina o tráfico de drogas em Itapipoca. "Não é verdadeira essa acusação. Ele estava preso desde 2012, eu consegui a progressão de regime para ele em 2018. Desde então, ele estava em casa com tornozeleira eletrônica. Como ele viria de São Paulo para assumir esse comando?", questiona, referindo-se ao tempo em que o cliente passou preso após ser detido com comparsas na posse de 520 kg de maconha.
Prisão

O primo e suposto sucessor de Talvane Teixeira foi localizado em outra residência, no bairro São Bento, em Fortaleza, na sequência da Operação, ainda no dia 23 de julho último. De acordo com o Inquérito Policial, 'Curió' autorizou a entrada dos investigadores no imóvel, onde foram apreendidos um carregador de pistola Ponto 40, um saco de munições de calibre 38 e droga.

A Draco ainda apreendeu três celulares e uma Toyota Hilux, blindada e avaliada em R$ 275 mil, na posse de 'Curió'. Conforme a investigação, o suspeito comprou o automóvel com blindagem por receio de sofrer um atentado e ser morto, como foi Talvane e o número 2 da organização criminosa em Itapipoca, José Teixeira Pires, o 'Zeribaldo'. O Ministério Público do Ceará (MPCE) denunciou 'Curió' por posse irregular de arma de fogo de uso permitido e receptação. A deníncia foi aceita pela Justiça e ele virou réu.

A advogada Erbênia Rodrigues reclama que a Polícia Civil não tinha mandado para ingressar na casa de Marcílio e afirma que o carregador e as munições eram de outra pessoa, que mora no andar de cima do dúplex.

Fonte: Diário do Nordeste

0 comentários:

Postar um comentário

Comente esta matéria

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More