Uma cena registrada no interior de Goiás ganhou repercussão nacional nos últimos dias e reacendeu o debate sobre desapropriações para obras públicas. A produtora rural Maria da Paz, de 78 anos, foi filmada ajoelhada diante de máquinas que atuavam em sua propriedade, em uma tentativa de impedir o avanço das intervenções relacionadas à duplicação da rodovia GO-330.
O vídeo foi gravado na última sexta-feira (29) mostra a idosa pedindo que os operadores interrompam os trabalhos e retirem os equipamentos do local. Outras imagens divulgadas nas redes sociais revelam Maria cercada por policiais e moradores da região, visivelmente emocionada e abalada com a situação. A cena rapidamente viralizou e provocou uma onda de manifestações de solidariedade.
O episódio ocorreu em uma fazenda localizada entre os municípios de Catalão e Ipameri, no sudeste goiano. A área faz parte do trecho contemplado pelas obras de ampliação da rodovia, projeto considerado estratégico para melhorar a infraestrutura logística e a mobilidade na região.
Segundo a Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes (Goinfra), a entrada das máquinas ocorreu após autorização judicial e dentro dos procedimentos previstos para desapropriação. O órgão informou que foi realizado o depósito de R$ 550 mil referente à área atingida e ressaltou que a residência da produtora rural não está incluída no trecho desapropriado.
Apesar disso, familiares e produtores afetados questionam os valores estabelecidos para as indenizações. Eles argumentam que as quantias oferecidas pelo Estado não correspondem ao valor de mercado das propriedades e defendem uma reavaliação dos critérios utilizados nos processos de desapropriação.
Representantes de uma comissão criada para acompanhar o caso afirmam que dezenas de produtores rurais poderão ser impactados pelas obras ao longo do trajeto da GO-330. Entre as preocupações apresentadas estão a extensão das áreas ocupadas e os possíveis reflexos econômicos para as famílias que dependem da atividade agropecuária.
Enquanto o governo estadual sustenta que todas as etapas seguem determinação judicial e respeitam a legislação vigente, os proprietários continuam buscando alternativas para contestar os valores pagos e ampliar as discussões sobre os impactos das desapropriações.
A imagem de Maria da Paz ajoelhada diante das máquinas acabou se transformando em símbolo da resistência de produtores rurais que questionam as condições impostas pelo processo, ampliando o debate sobre o equilíbrio entre obras de interesse público e o direito à propriedade privada. Via portal Folha do Estado













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