A juíza Elizabeth Machado Louro, responsável pelo julgamento que condenou o ex-vereador Jairinho e concedeu perdão judicial a Monique Medeiros pela morte do menino Henry Borel, entrou no centro dos debates midiáticos após a repercussão da sentença anunciada na madrugada desta quinta-feira (4).
À frente do 2° Tribunal do Júri da Capital, Elizabeth presidiu o que foi apontado como o júri mais longo da história recente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Ao final do julgamento, Jairinho recebeu pena de 43 anos e nove meses de prisão, enquanto Monique foi condenada por homicídio culposo, mas teve a pena extinta por decisão da magistrada.
A fundamentação utilizada para beneficiar Monique chamou a atenção por incluir argumentos relacionados à condição feminina e ao que a juíza definiu como uma cobrança social excessiva sobre as mães. Durante a sentença, a magistrada também afirmou que Monique foi alvo de uma reação desproporcional da sociedade desde a morte de Henry.
– Fosse o pai, e não a mãe, na mesma situação, nem sequer teria sido ele processado – declarou a magistrada.
A juíza também sustentou que existe uma exigência social diferenciada em relação às mulheres.
– O papel culturalmente reservado à mulher nos moldes patriarcais não só dela exige ser mãe, mas muito além, a mãe perfeita. Mãe suficiente não basta – afirmou.
Na decisão, Elizabeth argumentou ainda que Monique sofreu consequências severas ao longo dos últimos cinco anos, citando a perda do filho, a exposição pública e o que classificou como uma “perseguição implacável contra sua honra e autoestima como mãe”.
– Incomensurável o sofrimento de quem, além de perder seu único filho, para o que de resto não contribuiu intencionalmente, viu-se alvo durante cinco longos anos de uma perseguição implacável contra sua honra e sua autoestima como mãe – completou.
SOBRE A JUÍZA
Elizabeth Machado Louro ingressou na magistratura fluminense em 1996. Antes de se tornar juíza, atuou durante oito anos como defensora pública. Além da formação em Direito, ela também é graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Ainda antes do julgamento de Henry, Elizabeth já tinha feito manifestações públicas sobre contrastes entre homens e mulheres. Em 2024, em uma entrevista ao jornal O Globo, ela afirmou que questões associadas ao universo feminino influenciavam a condução dos julgamentos.
– A gente, estruturalmente, está numa posição de submissão. Não tem como negar isso. E isso dói. Então, se dói na gente, a gente vai ter um olhar diferenciado e mudar esse jogo – disse, na ocasião.
Via Pleno News
Em 2017, Elizabeth participou do documentário Legítima Defesa, produção que retratou histórias de mulheres vítimas de violência doméstica que mataram seus companheiros após agressões e abusos. O filme abordou casos ocorridos em comunidades periféricas do Rio de Janeiro. Via portal Pleno News













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