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terça-feira, 7 de julho de 2026

Doméstica resgatada após 55 anos de trabalho escravo e sem remuneração

Uma mulher de 62 anos foi resgatada de uma casa em um condomínio de alto padrão no município de Eusébio, na Região Metropolitana de Fortaleza, após passar 55 anos trabalhando sem salário e em condições análogas à escravidão. O caso, considerado um dos mais graves já identificados no Ceará, expõe um padrão histórico de exploração do trabalho doméstico que atravessou gerações de uma mesma família.

De acordo com a Auditoria-Fiscal do Trabalho, a mulher começou a trabalhar na residência aos sete anos de idade. Desde então, nunca recebeu remuneração pelos serviços prestados. Ao longo de mais de cinco décadas, desempenhou tarefas domésticas e cuidou de três gerações da família empregadora: primeiro dos filhos, depois dos netos e, mais recentemente, dos bisnetos da primeira patroa.

A investigação aponta que a origem da relação remonta à adolescência da mãe da vítima, que também trabalhou para a mesma família. Antes de retornar ao Piauí, ela teria deixado a filha sob os cuidados dos patrões, que passaram a mantê-la na residência. Segundo os auditores, a criança cresceu naquele ambiente sem acesso aos direitos básicos assegurados a qualquer trabalhador.

Após o resgate, a atual empregadora assinou um Termo de Ajuste de Conduta com o Ministério Público do Trabalho. Pelo acordo, ela se comprometeu a regularizar os recolhimentos previdenciários referentes ao período reconhecido, pagar R$ 50 mil em verbas rescisórias e adquirir um imóvel residencial para a trabalhadora.

As investigações também se estendem ao desaparecimento da irmã da vítima. Conforme apurado pela Auditoria-Fiscal do Trabalho, ela deixou a residência da família na década de 1980 após um desentendimento. O paradeiro da mulher ainda é desconhecido, e o caso segue sendo investigado.

Para os órgãos responsáveis pela apuração, a ocorrência evidencia como relações de trabalho podem permanecer invisíveis por décadas quando são naturalizadas sob o argumento de vínculos afetivos ou familiares. A ausência de salário, de registro formal e de autonomia financeira são alguns dos elementos que caracterizam a condição análoga à escravidão, mesmo em ambientes urbanos e dentro de residências particulares. Via portal CN7

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