CAMILLA HADDAD
O bairro do Itaim-Bibi, na zona sul, parou nesta quarta-feira por cerca de uma hora após um comerciante armado invadir a loja Planet Girls, na Rua Professor João Brito.
Pedro Jorge Saraiva, de 41 anos, dizia que queria se vingar. Ele era dono de uma microempresa de representação de vendas que, segundo ele, faliu por culpa da grife. O comerciante fez 15 reféns – entre funcionários e clientes –, deu cinco tiros no local e, no fim, cometeu suicídio.
No começo do ano ele já tinha ido à loja, onde comprava roupas para revender, e ameaçado funcionários. Os disparos foram feitos com a chegada da primeira viatura da PM. As balas atingiram o abdome de um soldado, que foi salvo pelo colete à prova de balas, e danificaram uma porta de vidro, janelas e paredes.
Era pouco depois do meio-dia quando o telefone 190 da corporação começou a receber consecutivos chamados com denúncias sobre ladrões que roubavam um estabelecimento. Logo após detectar que o caso envolvia reféns, em poucos minutos a polícia enviou um grande aparato, formado por atiradores de elite em um helicóptero com voos rasantes, 20 motos, grupo antibombas, bicicletas, quatro viaturas e uma Van com sistema de filmagem.
A ação levou pedestres e trabalhadores da Rua João Cachoeira a pararem para assistir ao desfecho da ocorrência.
Segundo o coronel Walmir Martini, comandante do 23.º Batalhão (Pinheiros), Saraiva, que saiu de Poços de Caldas, Minas Gerais, chegou à loja transtornado. Estacionou seu Meriva no meio da rua e desceu com dois revólveres em punho. Depois, rendeu um taxista que entrava em um Corolla – era horário de saída de uma escola particular.
“Oi, vocês lembram de mim? Voltei para me vingar.” Essa frase, segundo reféns, foi dita pelo comerciante, que tremia e suava o tempo todo. “Ele é um ex-cliente daqui. Ficou com as armas a cinco centímetros do meu rosto”, descreveu o taxista Júlio César Gomes, de 32 anos.
Na loja, rendeu pessoas em três andares, mas manteve uma vendedora como escudo o tempo todo. “Foi horrível. Ele dizia que ia me matar e se matar”, disse a funcionária, que não quis se identificar.
De acordo com o coronel Martini, o comerciante não quis negociar. Dizia, segundo o policial, que “não queria nada”. “Ele gritava que tudo havia acabado para ele e só sairia morto.” Em determinado momento, a refém conseguiu sair de um escritório onde estavam. Saraiva então colocou móveis para impedir a entrada.
A PM diz que invadiu o escritório apenas depois que o comerciante atirou no próprio rosto. Ele tinha um filho e chegou a avisar a mulher por celular que iria se matar. A família de Saraiva disse a policiais que um irmão dele tinha se suicidado há dois anos.
O motorista Givaldo Dantas, de 41, largou a feijoada que almoçava para ir ao local. “Vi o helicóptero e achei que fosse coisa grande”, disse. “Tenho amigos por aqui.” Com medo, outros lojistas baixaram as portas.











0 comentários:
Postar um comentário
Comente esta matéria