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quarta-feira, 29 de junho de 2011

Homem armado faz Itaim-Bibi viver hora de terror


CAMILLA HADDAD
O bairro do Itaim-Bibi, na zona sul, parou nesta quarta-feira por cerca de uma hora após um comerciante armado invadir a loja Planet Girls, na Rua Professor João Brito.
Polícia cercou o local em que o homem fez sete funcionários reféns (Foto: Marcio Fernandes/AE)
Pedro Jorge Saraiva, de 41 anos, dizia que queria se vingar. Ele era dono de uma microempresa de representação de vendas que, segundo ele, faliu por culpa da grife. O comerciante fez 15 reféns – entre funcionários e clientes –, deu cinco tiros no local e, no fim, cometeu suicídio.
No começo do ano ele já tinha ido à loja, onde comprava roupas para revender, e ameaçado funcionários. Os disparos foram feitos com a chegada da primeira viatura da PM. As balas atingiram o abdome de um soldado, que foi salvo pelo colete à prova de balas, e danificaram uma porta de vidro, janelas e paredes.
Era pouco depois do meio-dia quando o telefone 190 da corporação começou a receber consecutivos chamados com denúncias sobre ladrões que roubavam um estabelecimento.  Logo após detectar que o caso envolvia reféns, em poucos minutos a polícia enviou um grande aparato, formado por atiradores de elite em um helicóptero com voos rasantes, 20 motos, grupo antibombas, bicicletas, quatro viaturas e uma Van com sistema de filmagem.
A ação levou pedestres e trabalhadores da Rua João Cachoeira a pararem para assistir ao desfecho da ocorrência.
Segundo o coronel Walmir Martini, comandante do 23.º Batalhão (Pinheiros), Saraiva, que saiu de Poços de Caldas, Minas Gerais, chegou à loja transtornado. Estacionou seu Meriva no meio da rua e desceu com dois revólveres em punho. Depois, rendeu um taxista que entrava em um Corolla – era horário de saída de uma escola particular.
“Oi, vocês lembram de mim? Voltei para me vingar.” Essa frase, segundo reféns, foi dita pelo comerciante, que tremia e suava o tempo todo. “Ele é um ex-cliente daqui. Ficou com as armas a cinco centímetros do meu rosto”, descreveu o taxista Júlio César Gomes, de 32 anos.
Na loja, rendeu pessoas em três andares, mas manteve uma vendedora como escudo o tempo todo. “Foi horrível. Ele dizia que ia me matar e se matar”, disse a funcionária, que não quis se identificar.
De acordo com o coronel Martini, o comerciante não quis negociar. Dizia, segundo o policial, que “não queria nada”. “Ele gritava que tudo havia acabado para ele e só sairia morto.” Em determinado momento, a refém conseguiu sair de um escritório onde estavam. Saraiva então colocou móveis para impedir a entrada.
A PM diz que invadiu o escritório apenas depois que o comerciante atirou no próprio rosto. Ele tinha um filho e chegou a avisar a mulher por celular que iria se matar. A família de Saraiva disse a policiais que um irmão dele tinha se suicidado há dois anos.
O motorista Givaldo Dantas, de 41, largou a feijoada que almoçava para ir ao local. “Vi o helicóptero e achei que fosse coisa grande”, disse. “Tenho amigos por aqui.” Com medo, outros lojistas baixaram as portas.

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