quinta-feira, 14 de maio de 2020

Morte de crianças por fome é maior que óbitos por Covid

Ao pedir a reabertura do comércio na manhã desta quinta-feira (14), o presidente Jair Bolsonaro usou uma frase marcante para ressaltar sua opinião: “A fome mata”. Pois é, e essa frase não é nenhuma analogia ou demagogia. A fome realmente mata, e mata inocentes como crianças.

Segundo dados da Unicef divulgados em 2018, o número de crianças que morreram de fome em todo o mundo foi de 3,1 milhões, o que significa que, em média, 8,5 mil crianças morreram a cada dia por desnutrição, na prática, pela falta de ter o que comer.

Se esses números forem traduzidos em unidades de tempo menores, ficam ainda mais assustadores. Na média, uma criança morre de fome a cada 10 segundos, ou seja, enquanto você lê essa matéria, ao menos 12 a 15 pequenos perderam suas vidas simplesmente por não terem a esperança de um alimento em suas mesas.

Sem menosprezar as mortes causadas pela Covid-19, é claro, pois nenhuma morte é mais “importante” que a outra. Nos dois casos, tanto pela fome quanto pelo novo coronavírus, as mortes são dolorosas e precisam de estratégias para que sejam reduzidas, mas vamos analisar por um ponto de vista estatístico as duas causas.

Atualmente, a Covid-19 tem uma média diária entre 3 e 5 mil mortes em todo o mundo. Na quarta-feira (13), por exemplo, esse número foi de 5,3 mil, abaixo dos 8,5 mil óbitos de crianças por fome. Nem na data em que apresentou a maior quantidade de mortes em um único dia, com 8.429 em 17 de abril, a doença alcançou a média registrada entre os pequenos.

Em números gerais, o coronavírus teve até esta quinta-feira (14) cerca de 297,6 mil mortes. Agora, se tomarmos como base a média diária de óbitos de crianças por falta de alimentos, esse número chegaria, até este que é o dia 135 do ano de 2020, a 1,14 milhão de mortes.

Como ressaltado, a apresentação desses números não tem o objetivo de desmerecer as razões de uma ou outra morte, mas o papel é de estimular a reflexão sobre outros assuntos que também merecem ser discutidos e levados à tona.

(Pleno News)

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