Com cerca de 3 mil clientes, empresa alegou falha em base de dados; investidores relatam dificuldade para acessar valores e incerteza sobre recursos aplicados.
Uma instituição financeira digital que atuava no Distrito Federal e em São Paulo e reunia cerca de 3 mil investidores teve suas atividades interrompidas de forma inesperada nesta semana, deixando clientes em alerta e sem acesso aos próprios recursos.
Segundo estimativas do mercado, o volume captado pela empresa ultrapassaria R$ 900 milhões em investimentos vindos de diversas regiões do país.
De acordo com o Metrópoles, a companhia identificada como Naskar Gestão de Ativos Ltda. tinha entre seus responsáveis Marcelo Liranco Arantes, Rogério Vieira e o ex-jogador de vôlei e apresentador Maurício Jahu (José Maurício Volpato). A empresa já manteve sede no DF e, mais recentemente, operava a partir de São Paulo.
Em comunicado divulgado na manhã desta sexta-feira (8/5), a Naskar afirmou que enfrentou um problema técnico envolvendo sua base de dados e informou que está realizando uma auditoria interna.
A empresa também disse que pretende iniciar, na próxima semana, um processo de atualização e conferência das informações junto aos clientes.
“Após uma perda em nossa base de dados, estamos conduzindo um processo cuidadoso de auditoria. As equipes técnicas seguem atuando na estruturação das informações, e o processo de circularização junto aos clientes terá início ao longo da próxima semana”, declarou a instituição.
O modelo de atuação da fintech chamava atenção por oferecer rendimentos fixos de cerca de 2% ao mês — percentual considerado muito acima das médias do mercado financeiro tradicional.
Na prática, um investimento de R$ 1 milhão geraria aproximadamente R$ 20 mil mensais, enquanto a empresa administrava os valores aplicados.
Durante mais de uma década de operação, a Naskar não havia registrado grandes problemas públicos. A situação mudou no início desta semana, quando os pagamentos previstos para a segunda-feira (4/5) deixaram de ser efetuados.
Desde então, clientes relatam falta de respostas e dificuldade de contato, o que aumentou a insegurança e levantou suspeitas entre investidores.
Há relatos de aportes milionários feitos por clientes do Distrito Federal. Entre os casos citados, um empresário teria investido cerca de R$ 3,9 milhões, um bancário R$ 2,3 milhões e um aposentado aproximadamente R$ 1 milhão.
Os sócios da empresa não têm respondido ligações nem mensagens, além de manterem silêncio nas redes sociais. O aplicativo utilizado pelos investidores para acompanhar seus saldos e movimentações também permanece fora do ar.
Nas últimas horas, plataformas de reclamação como o Reclame Aqui passaram a concentrar queixas de clientes. Muitos relatam impossibilidade de acesso aos valores e ausência de informações oficiais por parte da empresa.
Entre os afetados está o empresário Wesley Albuquerque, de 40 anos, que além de investidor também atuava na captação de clientes para a fintech. Segundo ele, ao longo dos anos, chegou a indicar centenas de pessoas, o que ampliou ainda mais o volume de recursos envolvidos.
Wesley afirma ter indicado 135 clientes para a empresa, somando cerca de R$ 47 milhões em investimentos. Ele relata que chegou a confiar integralmente na instituição, inclusive recomendando a própria mãe como investidora.
“Minha confiança era tão grande que coloquei todo o meu dinheiro lá e ainda incentivei minha família a investir”, disse. Ele afirma que a situação atual gerou forte abalo emocional e financeiro.
Sem conseguir respostas e diante da falta de acesso aos recursos, investidores relatam crescente apreensão e incerteza sobre o futuro dos valores aplicados. O caso já está sob investigação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF).
Via portal Folha do Estado













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