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sábado, 11 de julho de 2026

PARCEIRA DE LULA: China aplica tarifaço de 55% ao Brasil

A China, principal destino da carne bovina brasileira, passou a aplicar uma sobretaxa de 55% sobre as importações que ultrapassarem a cota anual isenta de 1,106 milhão de toneladas destinada ao Brasil. Como já existe uma tarifa-base de 12%, a carga tributária total para o volume excedente chega a 67%, tornando o produto brasileiro significativamente menos competitivo no mercado chinês. Notíciasdo Brasil

A medida funciona como uma salvaguarda comercial criada pelo governo chinês para proteger sua produção interna e já provoca impactos na cadeia produtiva brasileira.

Brasil praticamente esgotou a cota

Segundo levantamento da consultoria StoneX, até o fim de junho o Brasil já havia comprometido 98,5% da cota anual, considerando os embarques realizados.

Levando em conta o intervalo médio de aproximadamente 45 dias entre o embarque no Brasil e a chegada da carga aos portos chineses, a expectativa é que o limite seja completamente preenchido ainda em agosto. A partir desse momento, qualquer novo embarque destinado à China estará sujeito à tributação total de 67%.

Pelos dados de internalização da carga — ou seja, da carne efetivamente desembarcada em território chinês — cerca de 72% da cota havia sido utilizada até 30 de junho.

Exportações recordes aceleraram o esgotamento

O avanço acelerado ocorreu justamente porque os frigoríficos intensificaram os embarques no primeiro semestre.

Dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) mostram que o Brasil exportou 1,705 milhão de toneladas de carne bovina entre janeiro e junho de 2026, gerando receita de aproximadamente US$ 9,85 bilhões, o maior volume já registrado para o período.

Grande parte dessa antecipação ocorreu exatamente em razão da nova política chinesa de cotas.

China absorve mais da metade da carne brasileira

Hoje, aproximadamente 52% de toda a carne bovina exportada pelo Brasil tem como destino o mercado chinês. Notíciasdo Brasil

Em 2025, o país embarcou cerca de 1,68 milhão de toneladas para a China, volume aproximadamente 35% superior à cota estabelecida para 2026.

Com o novo limite, aproximadamente 580 mil toneladas que tradicionalmente seriam enviadas aos chineses precisarão ser redirecionadas ao mercado interno ou a outros compradores internacionais.

Frigoríficos reduzem abates e concedem férias coletivas

Mesmo antes do esgotamento oficial da cota, os efeitos começaram a aparecer na indústria.

Segundo a StoneX, diversos frigoríficos passaram a reduzir o ritmo de abates destinados ao mercado chinês e iniciaram férias coletivas em várias unidades, especialmente no Mato Grosso.

A analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Larissa Barboza Alvarez, afirmou que a primeira reação da indústria foi diminuir os abates diante da expectativa de menor volume exportado.

Mais carne no mercado interno pressiona preços

Com menor capacidade de exportação para o principal comprador mundial, cresce a expectativa de aumento da oferta de carne bovina no mercado doméstico.

No curto prazo, esse movimento tende a exercer pressão baixista sobre os preços pagos aos pecuaristas, enquanto frigoríficos buscam alternativas para comercializar o excedente.

Setor pode perder até R$ 16,5 bilhões

A Abiec estima que as exportações brasileiras de carne bovina possam registrar uma queda de até 10% em 2026 na comparação com o ano anterior. Astronomia

Caso a projeção se confirme, o impacto financeiro poderá alcançar aproximadamente US$ 3 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 16,5 bilhões em receita para o setor.

Exportações devem reagir apenas no quarto trimestre

A StoneX avalia que o fluxo de embarques para a China deverá voltar a ganhar força apenas no quarto trimestre, quando começa a vigorar a nova cota referente a 2027.

Enquanto isso, frigoríficos precisarão buscar novos mercados ou ampliar as vendas internas para compensar a redução do acesso ao principal comprador da carne bovina brasileira.

Outros países ainda possuem espaço

O relatório destaca que a Austrália também já esgotou sua cota de exportação para a China.

Já Argentina, Uruguai e Estados Unidos ainda possuem espaço dentro de seus respectivos limites, embora existam dúvidas sobre a capacidade desses países de ampliar rapidamente sua oferta para suprir a demanda chinesa.

Via portal Folha do Estado

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